quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A percepção acadêmica.

Depois da aula de terça, bateu aquela curiosidade sobre o atual quadro cultural de Blumenau, no sentido de que, o que os outros pensam? Qual a percepção das pessoas quando se trata de cultura na cidade?
Aí, lembrei que tenho uma amiga que faz Artes na FURB, e óbvio, fui conversar com ela.
Segue abaixo, então, a opinião dela (cópia do bate-papo do facebook, rs). Achei muito válido compartilhar.

Oie samara...Quero ver se consigo expressar bem minhas visão com clareza.
Bem, vamos lá então...

A cultura em Blumenau é algo crítico, mas não é falta de espaço ou oportunidades. Há o teatro Carlos Gomes, Teatro Michelangelo, Fundação Cultural, o Espaço Plural, o antigo salão Mabeck que agora virou espaço de cursos do Arte Varia, a Casa das Oficinas e até mesmo a FURB, dentro de suas limitações, há um pequeno espaço reservado a expressão cultural. Além de editais do governo e empresas, como a Natura, que são lançados todo ano e que a maioria das pessoas nem se dá ao empenho de participar. 
Acho que ficou muito no papo de que alguém disse pra fulano que passou para outro e que a concumadre passou pra vizinha que fazer arte em Blumenau é algo impossível e sem apoiadores. É difícil? É. Mas falta é mesmo boa vontade, organização e disciplina dos artistas. Sentar numa toalha xadrez, tomar um chá (porque está na moda) e falar mal da roupa dos outros na prainha aos domingos não é fazer Arte. Sinto muito a quem organiza isso, mas acho que o buraco é mais embaixo. Não é reunir pessoas, massa, é organizar os realmente interessados. Os que tem sede de plateia, não os que acham que o público é ignorante. O próprio público busca arte, mesmo não entendendo muitas vezes. 
Falta talvez um mediador, um monitor, aquele que vai fazer o encontro artista-espectador. 
Há pouco tempo houve um trabalho de monitoria da turma de Artes Visuais da FURB na FCB. Essas alunas foram simplesmente orientadas a não se empenharem em explicar muito as obras, afinal "as pessoas não entendem nada mesmo" (palavras de uma criatura da qual não vou mencionar, mas que tem um cargo "crucial" na Fundação).
Triste saber disso, acho que o buraco que estamos tanto palpando de olhos vendados não é na cabeça do público, é na visão dos artistas e de pessoas que tem cargos em instituições das quais deveriam apoiar e orientar tanto artistas, quanto público. Artistas estes que muitas vezes só querem fazer um varal, pôr seus desenhos, fazer barulho e fazer uma apresentação de teatro contemporanea onde se falam elementos da natureza, e só. O que não muda nada.
Bem... Pra não acabar com algo ruim, um exemplo maravilhoso de que é isso mesmo o que deve ser feito e que está dando certo (até o momento) é o projeto Colméia, do qual faço parte como artista expositora.
Serão 24h de arte nos dias 18 e 19 de agosto no TCG. Isso não está acontecendo só porque o Teatro sedeu o local. Pois se assim fosse qualquer outro lugar "gratuito" poderia ser espaço para o evento.
A questão maior, creio eu, é que finalmente conseguiram de forma concreta organizar as mais diversas classes de artistas além da equipe de organizadores por parte do Teatro. Finalmente todos estão unidos, falando a mesma linguagem e sobre o mesmo objetivo: a formação de plateia e fomentar a arte em Blumenau.


e assim... ter mais espaço e opções é sempre bom, mas também não adianta ter mil opções e ninguém interessado em usar. a lojistica do estabelecimento também conta.
o mabeck, por exemplo, só funcionava com exposições durante o horário comercial, fechava inclusive no almoço. e nos finais de semana nem abriam. como querem ter público assim?
não é a toa que fechou.


Segue aqui, um link do blog dela, do que ela produz < http://shyshay.tumblr.com/>
Abraços a todos, Sami.

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